O AEE para o aluno com DI
Cristiane Sousa de Assis
A Deficiência Intelectual (DI) é uma nomenclatura
usada para definir o que antes era chamado de Deficiência Mental. Este termo
foi aprovado na Convenção Internacional de Direitos Humanos das Pessoas com
Deficiência de 2006, pela Organização das Nações Unidas (ONU). Essa deficiência
não é considerada uma doença ou transtorno psiquiátrico, e sim um prejuízo das
funções cognitivas que acompanham o desenvolvimento do cérebro.
De acordo com os
estudiosos da área, as deficiências intelectuais podem variar de leve à grave,
com um funcionamento intelectual significativamente inferior à média e com
limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas como: a
comunicação, as habilidades sociais, as habilidades acadêmicas, o cuidado
pessoal, a saúde e a segurança. As causas mais frequentes da DI podem ser
identificadas como: origem genética (transmissão hereditária); Doenças
cerebrais graves (tumores no cérebro, desordens degenerativas - a exemplo da
esclerose, dentre outras); Desordens psíquicas (autismo e esquizofrenia);
Fatores pré-natais (rubéola, sífilis, alcoolismo, drogas, radiações e etc.);
Fatores peri-natais (incompatibilidade de fator Rh; prematuridade, hipóxia -
oxigenação do cérebro insuficiente, anóxia -falta completa de oxigenação no
cérebro, e icterícia grave do bebê); Fatores pós-natais (quedas- traumatismos
cranianos, desnutrição, desidratação e intoxicações).
As características dos
alunos com DI podem variar e apresentar diferenças entre si, por exemplo: com
relação à área motora algumas crianças com DI leve podem apresentar alterações
na motricidade fina; já nos casos mais severos, percebe-se incapacidade motora
mais acentuada. Com relação à área cognitiva, são mais lentos que os alunos
considerados ‘’normais’’ e em geral apresentam dificuldades de aprendizagem de
conceitos abstratos, de focar a atenção, de memorização e resolução de
problemas.
Para Mantoan (1997), o
aluno com DI é capaz de realizar um processo educacional por meio de um
currículo baseado em conteúdos construtivistas. Deve-se também contar com o
apoio da família e toda a comunidade escolar para que se estenda o mesmo clima
de confiança.
Neste sentido, o
Atendimento Educacional Especializado (AEE) exerce um papel preponderante no
processo de aprendizagem do aluno com Deficiência Intelectual (DI), sobretudo,
porque trabalha cada aluno, um a um, conforme potencialidades e necessidades.
Sabe-se que os objetivos pedagógicos e a avaliação devem ser diferenciados, uma
vez que a aprendizagem dos alunos com DI é lenta e gradual. Desse modo, é
fundamental estabelecer um diálogo mais próximo com o professor da sala de aula
comum, buscar meios e métodos adequados para criar situações de aprendizagem
positivas e significativas, respeitando o ritmo de cada aluno.
Conforme ressalta
Stainback (2000), é extremamente importante trilhar novos caminhos
educacionais, pensando não apenas na alfabetização dos alunos, mas, sobretudo
nas aquisições e conhecimentos sociais que lhes sejam úteis a sua adaptação à
vida, favorecendo a autonomia e independência dos alunos, na medida de suas
possibilidades.
As especificidades (do
AEE para o aluno com DI) consistem em focar a atenção no aluno, buscando identificar
seu potencial, gostos, habilidades, necessidades e limitações, a fim de que o
aluno adquira conhecimentos sociais. É preciso também estabelecer diálogo
constante com a família e com a professora da sala de aula comum, para traçar
um plano de atendimento que contemple as quatro áreas fundamentais do
desenvolvimento humano: a área sócioafetiva e relacional (promovendo a
interação social do aluno, colocando-o em contato com seus pares); a área da
comunicação (estimulando a expressão oral do aluno); a área motora (minimizar problemas
de coordenação e manipulação); e a área cognitiva (trabalhando conceitos
abstratos, estimulando a atenção, a capacidade de memorização e a resolução de
problemas).
Convém ressaltar que as características
do trabalho do AEE são prioritariamente pedagógicas, ou seja, centradas no
processo de ensino e de aprendizagem e pautadas na perspectiva inclusiva de
respeito e valorização às diferenças. As atividades devem ser organizadas dando
prioridade às necessidades do aluno, focando nos objetivos de aprendizagem
traçados no plano de atendimento; utilizar diferentes tipos de linguagem
(música, artes, expressões corporais e etc); Contar histórias para ensinar
conceitos abstratos; Fazer adaptações de conteúdos sempre que necessário;
Preparar versões simplificadas do material didático; Acompanhar continuamente o
processo de aprendizagem do aluno, registrando todas as observações e,
sobretudo, acreditar (sempre) que o aluno com deficiência intelectual pode
aprender, sim. Para tanto, faz-se necessário oferecer um ambiente rico em
estímulos, em que o aluno seja motivado a participar das atividades e possa
estabelecer relações entre si e com os outros, na medida de suas
possibilidades.
Assim, cabe-nos rever
currículo, conceitos, posturas, métodos, técnicas e estratégias avaliativas,
por meio de um plano de atendimento flexível e sistemático que contempla as
necessidades e especificidades do aluno, priorizando seu progresso através de
uma aprendizagem significativa.
Referências
MANTOAN, M.T.E. (Org.)A Integração de pessoas com deficiência: contribuições para a reflexão sobre o tema. São Paulo: Ed. Mennon,1997.
MANTOAN, M.T.E. (Org.)A Integração de pessoas com deficiência: contribuições para a reflexão sobre o tema. São Paulo: Ed. Mennon,1997.
STAINBACK.
Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
Texto: Aspectos funcionais do desenvolvimento cognitivo de crianças com deficiência mental e metodologia de pesquisa – Rita Vieira de Figueiredo e Jean-Robert Poulin. In: A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas. CRUZ, Silvia Helena V. (org.). São Paulo: Cortez, 2008.
Texto: Aspectos funcionais do desenvolvimento cognitivo de crianças com deficiência mental e metodologia de pesquisa – Rita Vieira de Figueiredo e Jean-Robert Poulin. In: A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas. CRUZ, Silvia Helena V. (org.). São Paulo: Cortez, 2008.
Coleção: A educação Especial na Perspectiva da
Inclusão Escolar- O Atendimento Educacional Especializado Para Alunos Com
Deficiência Intelectual – Fascículo 2 - MEC/SEEUFC, 2010.

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