segunda-feira, 30 de setembro de 2013




O AEE para o aluno com DI
 Cristiane Sousa de Assis

A Deficiência Intelectual (DI) é uma nomenclatura usada para definir o que antes era chamado de Deficiência Mental. Este termo foi aprovado na Convenção Internacional de Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência de 2006, pela Organização das Nações Unidas (ONU). Essa deficiência não é considerada uma doença ou transtorno psiquiátrico, e sim um prejuízo das funções cognitivas que acompanham o desenvolvimento do cérebro.

De acordo com os estudiosos da área, as deficiências intelectuais podem variar de leve à grave, com um funcionamento intelectual significativamente inferior à média e com limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas como: a comunicação, as habilidades sociais, as habilidades acadêmicas, o cuidado pessoal, a saúde e a segurança. As causas mais frequentes da DI podem ser identificadas como: origem genética (transmissão hereditária); Doenças cerebrais graves (tumores no cérebro, desordens degenerativas - a exemplo da esclerose, dentre outras); Desordens psíquicas (autismo e esquizofrenia); Fatores pré-natais (rubéola, sífilis, alcoolismo, drogas, radiações e etc.); Fatores peri-natais (incompatibilidade de fator Rh; prematuridade, hipóxia - oxigenação do cérebro insuficiente, anóxia -falta completa de oxigenação no cérebro, e icterícia grave do bebê); Fatores pós-natais (quedas- traumatismos cranianos, desnutrição, desidratação e intoxicações).

As características dos alunos com DI podem variar e apresentar diferenças entre si, por exemplo: com relação à área motora algumas crianças com DI leve podem apresentar alterações na motricidade fina; já nos casos mais severos, percebe-se incapacidade motora mais acentuada. Com relação à área cognitiva, são mais lentos que os alunos considerados ‘’normais’’ e em geral apresentam dificuldades de aprendizagem de conceitos abstratos, de focar a atenção, de memorização e resolução de problemas. 

Para Mantoan (1997), o aluno com DI é capaz de realizar um processo educacional por meio de um currículo baseado em conteúdos construtivistas. Deve-se também contar com o apoio da família e toda a comunidade escolar para que se estenda o mesmo clima de confiança. 
Neste sentido, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) exerce um papel preponderante no processo de aprendizagem do aluno com Deficiência Intelectual (DI), sobretudo, porque trabalha cada aluno, um a um, conforme potencialidades e necessidades. Sabe-se que os objetivos pedagógicos e a avaliação devem ser diferenciados, uma vez que a aprendizagem dos alunos com DI é lenta e gradual. Desse modo, é fundamental estabelecer um diálogo mais próximo com o professor da sala de aula comum, buscar meios e métodos adequados para criar situações de aprendizagem positivas e significativas, respeitando o ritmo de cada aluno.

Conforme ressalta Stainback (2000), é extremamente importante trilhar novos caminhos educacionais, pensando não apenas na alfabetização dos alunos, mas, sobretudo nas aquisições e conhecimentos sociais que lhes sejam úteis a sua adaptação à vida, favorecendo a autonomia e independência dos alunos, na medida de suas possibilidades.

As especificidades (do AEE para o aluno com DI) consistem em focar a atenção no aluno, buscando identificar seu potencial, gostos, habilidades, necessidades e limitações, a fim de que o aluno adquira conhecimentos sociais. É preciso também estabelecer diálogo constante com a família e com a professora da sala de aula comum, para traçar um plano de atendimento que contemple as quatro áreas fundamentais do desenvolvimento humano: a área sócioafetiva e relacional (promovendo a interação social do aluno, colocando-o em contato com seus pares); a área da comunicação (estimulando a expressão oral do aluno); a área motora (minimizar problemas de coordenação e manipulação); e a área cognitiva (trabalhando conceitos abstratos, estimulando a atenção, a capacidade de memorização e a resolução de problemas).

Convém ressaltar que as características do trabalho do AEE são prioritariamente pedagógicas, ou seja, centradas no processo de ensino e de aprendizagem e pautadas na perspectiva inclusiva de respeito e valorização às diferenças. As atividades devem ser organizadas dando prioridade às necessidades do aluno, focando nos objetivos de aprendizagem traçados no plano de atendimento; utilizar diferentes tipos de linguagem (música, artes, expressões corporais e etc); Contar histórias para ensinar conceitos abstratos; Fazer adaptações de conteúdos sempre que necessário; Preparar versões simplificadas do material didático; Acompanhar continuamente o processo de aprendizagem do aluno, registrando todas as observações e, sobretudo, acreditar (sempre) que o aluno com deficiência intelectual pode aprender, sim. Para tanto, faz-se necessário oferecer um ambiente rico em estímulos, em que o aluno seja motivado a participar das atividades e possa estabelecer relações entre si e com os outros, na medida de suas possibilidades.

Assim, cabe-nos rever currículo, conceitos, posturas, métodos, técnicas e estratégias avaliativas, por meio de um plano de atendimento flexível e sistemático que contempla as necessidades e especificidades do aluno, priorizando seu progresso através de uma aprendizagem significativa.


Referências
MANTOAN, M.T.E. (Org.)A Integração de pessoas com deficiência: contribuições para a reflexão sobre o tema. São Paulo: Ed. Mennon,1997.
STAINBACK. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
Texto: Aspectos funcionais do desenvolvimento cognitivo de crianças com deficiência mental e metodologia de pesquisa – Rita Vieira de Figueiredo e Jean-Robert Poulin. In: A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas. CRUZ, Silvia Helena V. (org.). São Paulo: Cortez, 2008. 
Coleção: A educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar- O Atendimento Educacional Especializado Para Alunos Com Deficiência Intelectual – Fascículo 2 - MEC/SEEUFC, 2010. 



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