No que se
diferenciam a surdocegueira e a DMU?
Cristiane Sousa De Assis
A surdocegueira é uma deficiência que apresenta
a perda auditiva e visual de forma concomitante, em diferentes graus. Contudo, é
caracterizada por ser uma deficiência única, e não a “junção” de duas deficiências
(auditiva e visual). Conforme explica Silva (2010), abrange o comprometimento
dos sentidos da visão e da audição, de tal maneira que impossibilita
o uso dos
outros sentidos auxiliadores à distância, causando grande dificuldade na comunicação
e na compreensão de mundo. Ela pode ser congênita ou adquirida e apresentam
diversas características, desde as que apresentam perda total visual e
auditiva, até aquelas que apresentam um bom resíduo visual e/ou um bom resíduo
auditivo.
Já a Deficiência
Múltipla (DMU) está associada a duas ou mais deficiências. É aquela que apresenta duas ou mais deficiências associadas, acarretando diferenças no desenvolvimento global
da pessoa (deficiência visual associado à paralisia
cerebral; deficiência visual e deficiência intelectual; deficiência visual e
autismo; deficiência auditiva e autismo; deficiência auditiva e deficiência
intelectual; deficiência auditiva e paralisia cerebral; surdocegueira congênita
- sem um sistema de comunicação estabelecido). Para
que as manifestações das pessoas com DMU sejam possíveis de serem expressas e
compreendidas, faz-se necessário construir modos de comunicação apropriados a
cada caso, procurando proporcionar
estratégias, recursos e uma rotina que privilegie o desenvolvimento das interações, cuidados
pessoais e coletivos. As oportunidades
de sinalização por meio de figuras, fotos ou símbolos para ampliação do que
essa pessoa deseja expressar em vários ambientes e locais, é
extremamente relevante. Quanto maior a
interação com as atividades práticas, a fim de generalizar os conceitos aprendidos no
cotidiano do aluno, melhores os resultados.
Para Serpa (2002), os sistemas de
comunicação são diversos, e geralmente envolvem as mãos da pessoa com
surdocegueira e do seu interlocutor e/ou intérprete. Assim, conhecer as
limitações da pessoa com surdocegeira para que seja encontrada a melhor forma
de mediar os processos de cognição e interação, é essencial.
Especialistas da área, a exemplo de Bersch R e Sartoretto (2010), afirmam que o aprimoramento de um código de
comunicação com uma pessoa com DMU se dá através de planejamento adequado, metodologia de comunicação apropriada, estímulo
constante à expressão de desejos e opiniões do próprio aluno.
Em geral, as problemáticas encontradas são:
dificuldades em elaborar a consciência da relação dos segmentos corporais em si
e destes com objetos (fase comum a todas as crianças); limitações para o
movimento e funcionamento do próprio corpo; insegurança pessoal; atraso no desenvolvimento
motor e afetivo pode ser atribuído à qualidade e quantidade das interações
mantidas com o ambiente (BRASIL, 1996, p. 13).
Silva (2010), afirma que se uma pessoa adquire
a surdocegueira antes da aquisição da linguagem - seja oral ou gestual, deve
ser considerada como pré-linguística. Já àquelas que adquiriram a surdocegueira
após a aquisição da linguagem devem ser consideradas como pós-linguísticas. Na fase pré-linguística, a comunicação dar-se-á
por meio da utilização de objetos de referência, onde os objetos devem estar
relacionados às atividades desenvolvidas. Os objetos deverão ser colocados sequencialmente
dentro de caixas, pela ordem em que as atividades diárias se realizarão, objetivando
funcionar como uma agenda. Na fase pós-linguística as formas de comunicação são
diferentes, pois a pessoa já adquiriu anteriormente uma língua, seja o Português
ou Libras.
Grosso modo, o uso da Língua de sinais tátil corresponde à língua de sinais tradicionalmente usada por surdos, adaptada ao tato, cuja utilização dos sinais adaptados, consiste em viabilizar a compreensão de toda informação pela pessoa com surdocegueira.
Grosso modo, o uso da Língua de sinais tátil corresponde à língua de sinais tradicionalmente usada por surdos, adaptada ao tato, cuja utilização dos sinais adaptados, consiste em viabilizar a compreensão de toda informação pela pessoa com surdocegueira.
À medida que a
pessoa desenvolve seu poder de abstração, o professor, progressivamente, deverá
utilizar pistas mais exigentes no nível da simbolização. Sabe-se que a língua
de sinais tátil é o sistema mais utilizado pelos surdos e pode ser adaptada ao
tato quando utilizada com pessoas surdocegas. Este sistema segue as mesmas
regras e convenções do braile tradicional, cujo dedo indicador e dedo médio representam
a cela braile e em cada falange dos dedos representa o espaço de marcação do
ponto. Consiste no registro de cada letra de uma palavra na palma da mão da pessoa
com surdocegueira ou em outras partes de seu corpo. Além disso, é necessário
que a mensagem seja escrita, preferencialmente, com letras maiúsculas. O registro
das letras deverá ser realizado com o dedo indicador do interlocutor no centro
da palma da mão ou em outras partes do corpo da pessoa surdocega para que ela perceba,
por meio do tato, cada letra registrada. (BRASIL, 2006, p.30).
Faz-se necessário, considerar o período
no qual ocorreu a perda dos sentidos, em virtude das especificidades de cada
pessoa: há pessoas
que eram cegas e se tornaram surdas; há pessoas
que eram surdas e se tornaram cegas; há pessoas que se tornaram surdocegas e há
pessoas que nasceram surdocegas/ou se tornaram surdocegas antes de terem
aprendido alguma linguagem. Bosco, Mesquita e Maia (2010), afirmam que as pessoas com deficiência múltipla
apresentam características específicas, com necessidades únicas. Ou seja, não
apresentam necessariamente os mesmos tipos de deficiência, podem apresentar
cegueira e deficiência mental; deficiência auditiva e deficiência mental;
deficiência auditiva e autismo, entre outros.
Neste sentido, é preciso
desenvolver atividades de maneira multissensorial para garantir o
aproveitamento de todos os sentidos possíveis, no intuito de proporcionar aprendizagens significativas,
favorecendo a autonomia do aluno. Outra estratégia importante é a
técnica da “mão sob mão”, onde é colocada a mão sob a mão da pessoa com
surdocegueira ou deficiência múltipla e assim orienta o seu movimento sem a
controlar, permitindo desta forma que explore o ambiente, o seu corpo ou o
corpo do seu orientador.
Rowland e Schweigert (2005) destaca a utilização de
símbolos tangíveis, como o uso de fotos, objetos concretos, desenhos,
contornos, dentre outros, que representem algo que se deseje transmitir. Eles
alertam que as pessoas com deficiência múltipla necessitam de um ambiente
reativo, que responda a suas iniciativas. Seu tempo de resposta deve ser
respeitado e a habilidades de fazer escolhas deve estar dentro de suas
atividades programadas. Neste contexto, é fundamental a colaboração da família
e de todos os profissionais envolvidos.
De modo geral, inúmeros métodos e estratégias são importantes para ajudar pessoas com surdocegueira e deficiências múltiplas à aquisição da comunicação. As principais necessidades dos surdocegos e das pessoas com DMU se concentram em disponibilizar mecanismos e recursos em busca de favorecer a evolução da comunicação e o desenvolvimento do esquema corporal, para ter acesso à vida social e escolar, favorecendo a interação da pessoa com deficiência ao meio em que ela vive.
De modo geral, inúmeros métodos e estratégias são importantes para ajudar pessoas com surdocegueira e deficiências múltiplas à aquisição da comunicação. As principais necessidades dos surdocegos e das pessoas com DMU se concentram em disponibilizar mecanismos e recursos em busca de favorecer a evolução da comunicação e o desenvolvimento do esquema corporal, para ter acesso à vida social e escolar, favorecendo a interação da pessoa com deficiência ao meio em que ela vive.
Referências
Bibliográficas:
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.;
MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo
05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).
BRASIL,
Ministério da Educação e da Cultura. Saberes e Práticas da Inclusão. Dificuldades
de comunicação e sinalização: Surdocegueira / múltipla deficiência sensorial
Secretaria de Educação Especial – Brasília: MEC/SEESP – 2006.
ROWLAND, Charity; SCHWEIGERT, Philip. Solucões Tangíveis para Indivíduos Com
Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira(2005).
SERPA.
Ximena. Comunicação para pessoas surdocegas. Colômbia, 2002.
SILVA,
Alexandre Marciano da. Educação do Surdocego:Transpondo Obstáculos Através do
Estabelecimento da Comunicação. Unopar, 2010.
Coleção A Educação Especial na Perspectiva da
Inclusão Escolar. Surdocegueira e Deficiência Múltipla. MEC, 2010.
Coleção A Educação Especial na Perspectiva da
Inclusão Escolar. Os Alunos com Deficiência Visual: Baixa Visão e Cegueira. MEC
2010.

