Educação Escolar de Pessoas com Surdez-
Atendimento Educacional
Especializado em Construção
ASSIS, Cristiane Sousa De.
Este texto busca refletir sobre o atendimento
educacional especializado e a educação escolar de pessoas com surdez à luz do
pensamento de Damázio (2010). Segundo esta autora (ibid), é necessário
considerar a questão do ser humano descentrado, constituído de varias linguagens e
potencialidades, sobretudo romper o embate politico e epistemológico entre gestualistas
e oralistas, compreendendo a surdez como uma privação sensorial que interfere
diretamente na comunicação.
De acordo com as suas pesquisas, as pessoas com
surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores que desafiem o
pensamento e exercitem suas capacidades cognitivas. Ressalta
ainda que o problema e o fracasso na Escola das pessoas com surdez não deve
continuar centrado na língua em si, mas na qualidade das práticas pedagógicas:
O problema da educação das pessoas com surdez não pode continuar
centrado nessa ou naquela língua, como ficou até agora, mas deve levar-nos a
compreender que o foco do fracasso escolar não está só nessa questão, mas
também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas. (DAMÁZIO, 2010,
p.48)
Nessa
perspectiva, o serviço complementar do Atendimento Educacional Especializado precisa
ser pensado em redes interligadas, sem dicotomizações ou reducionismos. As pessoas com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores,
que explore suas capacidades, em todos os sentidos:
Os processos perceptivos, linguísticos e cognitivos das pessoas com
surdez poderão ser estimulados e desenvolvidos, tornando-as sujeitos capazes,
produtivos e constituídos de várias linguagens, com potencialidade para
adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também
ler e escrever as línguas em seus entornos e, se desejar, também falar.
(DAMÁZIO, 2010, p.48)
Assim, faz-se
necessário construir um ambiente de comunicação e interação, oportunizando o
acesso a Libras e a Língua Portuguesa escrita, por meio de uma abordagem
bilíngue e de um ambiente acolhedor, pois o cotidiano escolar adquire maior
significado quando leva em conta todas as vivencias contextuais
experimentadas.
De acordo
com Damázio (2010), o Atendimento Educacional Especializado (AEE) deve ser
realizado em três momentos distintos: o AEE em
LIBRAS onde é necessário estabelecer parcerias que favoreçam ao aluno com
surdez na compreensão dos conteúdos curriculares; o
AEE de LIBRAS onde os alunos com surdez terão aulas de LIBRAS para a aquisição
dos termos científicos, realizado por um professor/instrutor de LIBRAS, preferencialmente surdo; e o AEE para o ensino da Língua Portuguesa escrita, onde se trabalha as especificidades dessa língua para pessoas com surdez.
A proposta de educação escolar inclusiva é um desafio, sem dúvida,
contudo, é preciso ultrapassar a visão que reduz os problemas de escolarização
das pessoas com surdez ao uso desta ou daquela língua. O AEE para alunos com surdez na perspectiva inclusiva
estabelece como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do potencial
e das capacidades de cada pessoa.
É importante compreender a importância da organização didática; fazer uso de imagens e de recursos, buscando priorizar o acesso às duas línguas (Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa) de forma simultânea, buscando refletir sobre a concepção de língua como lugar de interlocução e interação humana, no sentido de compreender o outro e de se fazer compreender por ele. Contudo, há que considerar ainda que, mais do que a utilização de uma língua, os alunos com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores. O que significa dizer que a aquisição da Língua de Sinais não é garantia de uma aprendizagem significativa.
Em
síntese, há que se pensar em uma escola que se organiza para todos e na qual
todas as diferenças sejam reconhecidas e valorizadas, sabendo atuar e interagir,
independentemente da deficiência. Pessoas com surdez têm direito a uma educação
bilíngue que priorize a língua dos sinais como sua primeira língua, bem como a
língua portuguesa como segunda língua.
É preciso
refletir sobre a postura do professor e repensar novas práticas educativas a
partir das propostas de inclusão, bem como pensar sobre sua operacionalização,
considerando todas as adversidades e carências humanas e/ou materiais, que
fazem parte do contexto escolar, bem como fazer uso dos processos cognitivos e
simbólicos visuais como formas alternativas de apropriação da linguagem, dando
atenção especial à comunicação visual (gestos, mímicas, desenhos e língua de
sinais) como forma de interação, buscando sempre valorizar o potencial e a
capacidade das pessoas.Referência: DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo; FERREIRA, Josimário de Paula. Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p. 46-57.
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